sexta-feira, 7 de março de 2008

A Globalização e o Descolamento...


São conceitos que podem coexistir? Para alguns, a globalização entrelaçou o comércio internacional as finanças globais de tal maneira que seria improvável que os países emergentes saíssem incólumes de uma turbulência nas economias desenvolvidas, colocando por terra a teoria do descolamento num mundo globalizado. Outros afirmam que são conceitos que podem muito bem coexistir. Essa também é a nossa opinião.

Temos observado que os desafios que a economia americana vem enfrentando têm fomentado as relações comerciais entre os países emergentes, ou seja, aquela idéia que países pobres exportam para os países ricos é coisa do passado. O comércio entre Brasil, Russia, Índia, China (BRIC) e outras economias emergentes nunca esteve tão aquecido.

O resultado dessa relação comercial entre as economias em desenvolvimento tem sido aumento do consumo doméstico e principalmente dos investimentos em infra-estrutura.

O lucro de algumas multinacionais americanas no quarto trimestre surpreendeu até mesmo os mais otimistas, ao verificarem que o bom desempenho de suas sucursais nos países emergentes contrabalanceou perdas no seu país de origem.

Ainda: mesmo que os preços das commodities (que representam grande parte da pauta de exportação dos BRIC) enfraqueçam, diminuido assim as receitas provenientes das vendas externas, alguns países em desenvolvimento, por terem se tornado credores líquidos, têm agora muito mais espaço para ações de política fiscal ou monetária.

Dito isso, é importante salientar que, mesmo que a teoria do descolamento esteja se confirmando não quer dizer que a crise americana não trará nenhum impacto ao resto do mundo, ou ainda, que os emergentes salvarão a economia global de um possível desaquecimento. Para mais detalhes sugerimos a leitura do nosso post de 21 de dezembro de 2007, entitulado "Para um bom 2008".

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A nossa aposta...

Embora o assunto sobre uma super-valorização de preços nas commodities seja assunto do passado, em 2008 alguns dados estão dando indícios que poderá dar-se aí a nova bolha especulativa.

Em 20 de fevereiro, o barril de petróleo bateu novo recorde sendo negociado a US$101,32. Dois dias antes a Vale aprovou um reajuste de mais de 70% para o minério de ferro. Até mesmo o chá sofreu aumento significativo  impulsionado pelos conflitos sociais e politicos no Quênia. 

Mesmo que a maior economia do mundo desacelere, China e Índia deverão manter aquecidos os preços das commodities em função, principalmente, dos seus investimentos em infra-estrutura. 

Com o mercado acionário apresentando resultados aquém do esperado e setor imobiliário contraído, há dinheiro especulativo de sobra procurando novos negócios. As commodities apesar das fortes valorizações recentes, atravesaram praticamente ilesas às recentes turbulências. 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Façam suas apostas...

Continuamos acreditando que as condições para a formação de uma nova bolha especulativa foram criadas. Gostaríamos de convidá-los a interagir com a gente, dando sua opinião sobre onde esta bolha irá acontecer, citando países, setores ou empresas. As fichas estão lançadas! 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A próxima bolha...

Nos últimos dias o FED tem agido muito mais para conter o pânico nos mercados do que para amenizar uma provável recessão. Dessa forma estão sendo criadas condições para a ocorrência de mais uma bolha especulativa que não se sabe bem onde acontecerá. Porém, os players globais poderão simplesmente não embarar nessa e passar a exigir atitudes que realmente impliquem num começo de solução e não num contínuo adiamento dos problemas. Se o mercado não embarcar nessa, voltarão com força as turbulências e uma provável corrida contra o dólar. Então esteremos fritos. E essa é uma possibilidade real.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Saída pelos fundos...

Desde o início da crise imobiliária americana, os fundos soberanos já injetaram mais de US$ 69 bilhões para recapitalizar os maiores bancos de investimentos do mundo. Só o Citigroup e o Merrill Lynch foram socorridos com mais de US$ 21 bilhões desse montante.

Esse fundos, administrados pelos governos de países como Rússia, Cingapura, Kuwait, Coréia do Sul, China, entre outros, se proliferaram em função das exportações asiáticas e principalmente pela valorização do petróleo. Juntos, possuem mais de US$ 2,9 trilhões para investir e seus interesses vão além do setor financeiro; incluem telecomunicações, empresas de tecnologia, operações de cassino e até mesmo projetos aeroespaciais.

Em princípio, todos nós gostamos de investimento estrangeiro. Mas, quando o dinheiro pertence à outro governo, um certo desconforto começa a se fazer sentir.

Primeiro, sendo investimentos bilionários, possuem força suficiente para desestruturar qualquer mercado. Ainda, esses governos têm pouca responsabilidade com órgãos reguladores e acionistas. Assim, essas condições podem constituir players de integridade duvidosa. Embora não haja evidência de mau comportamento, o governo Francês já se pronunciou dizendo que tem o compromisso de proteger seus inocentes empresários da agressividade dos fundos soberanos.

Segundo, já podemos esperar reações fortes de grupos nacionalistas e protecionistas, uma vez que há interesse, por parte dos fundos, em setores de grande importância, como por exemplo, de energia e infra-estrutura estratégica. Entretanto, considerando a situação atual da economia americana, o socorro foi mais do que providêncial.

Enfim, os fundos soberanos são a prova de que o capitalismo funciona. O dinheiro daqueles que possuem excedentes é transferido para aqueles que necessitam. O que falta agora é, mais transparência em relação aos motivos, objetivos e posses desses fundos. Atenção neles, segundo George Soros: "Os bancos centrais perderam o controle". Para meio entendedor, meia palavra basta.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Inflação: um problema ou nem tanto...

Alguns apontam que o abrandamento das condições monetárias e o rápido crescimento do crédito com taxas de juros baixas, têm sido o combustível para a inflação mundial.

Outros, se preocupam com o enfraquecimento da concorrência dos produtos chineses e o aumento desenfreado da demanda por recursos pelos países emergentes, aumentando ainda mais os preços dos commodities. Só o petróleo teve um aumento de mais de 80% nos últimos 12 meses.

Em parte, as duas linhas de pensamento estão corretas mas nenhuma delas oferece uma explicação profunda e abrangente do problema em questão.

Na China, por exemplo, a taxa de inflação triplicou no ano passado mesmo com o governo impondo inúmeros controles sobre preços (principalmente no início desse mês) e mantendo uma política monetária cada vez mais apertada. O que de fato aconteceu é que a China aumentou significativamente, nos últimos anos, suas reservas em moedas estrangeiras, inflando desta forma o crescimento da moeda nacional. Lá, o aumento da inflação é quase que totalmente devido ao preço dos alimentos, principalmente da carne de porco. Prova disso, é que o núcleo da inflação (índice que exclui alimentos, por exemplo) foi de apenas 1,4%. E, mesmo com os preços dos produtos importados chineses aumentando em função da fraqueza do dólar, estes são ainda muito mais baratos. Com a China produzindo mais itens de maior valor agregado, isso puxará para baixo os preços da produção doméstica de vários setores.

Em relação à demanda por commodities, observamos que atualmente, o cenário macroeconômico é cada vez mais potencializado por países emergentes (BRICS). Estes, devido às suas respectivas infra-estruturas, têm o crescimento concentrado em energia e commodities, muito mais que os países ricos. Essa mudança significa que a antiga relação entre a maior economia do mundo e os commodities pode estar mudando. Nas recessões americanas passadas, os preços do petróleo e de outros recursos cairam. Isso não é mais assim. Houve uma mudança estrutural na economia global.

Então os preços dos commodities vão oscilar cada vez mais? Não. As economias emergentes, embora estejam mais resilientes, é improvável que continuem crescendo da mesma forma. Em determinado momento a demanda irá enfraquecer e assim como os preços desses recursos.

Enfim, dentre os problemas que assolam as principais economias do globo, acreditamos que talvez esse, pelo menos, esteja com seus dias contados.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Lá fora...

À luz dos dados sobre o mercado de trabalho americano divulgados no dia 4 do corrente mês, o Merrill Lynch foi contundente ao dizer que a recessão nos Estados Unidos já havia começado. Por outro lado, ontem, o secretário do Tesouro americano Henry Paulson, descartou implicitamente um cenário recessivo no país.

Em meio a essas percepções divergentes, temos alguns fatos consolidados:

- Em dezembro, taxa de desemprego de 5%, ante expectativa de 4,8%, e ainda 18 mil empregos gerados contra uma previsão de 70 mil;

- Queda dos preços do mercado imobiliário;

- Contração do crédito e

- Elevação dos preços de energia.

Com este cenário, o FED e o governo americano têm duas ferramentas. A primeira é seguir com os cortes da taxa básica de juros. O próximo corte está previsto para o final de janeiro. A segunda é um afrouxamento da política fiscal do país.

Em relação aos cortes na taxa básica de juros, vale lembrar que foi exatamente este tipo de ação entre 2001 e 2003 que semeou a crise do setor imobiliário de hoje.

Já na segunda opção, com os níveis atuais de endividamento do referido país, o espaço para manobra se reduz bastante.

Enfim, se é recessão ou desaceleração do crescimento, não importa. O foco deve estar no que é fato consolidado e principalmente nas ações do FED e do governo americano, no que tange aos seus desdobramentos e futuras conseqüências.